Thiago de Los Reyes
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
Nos abismos, na vida e no mar.
Na vida muitas vezes não existe outro caminho a seguir senão em frente.
Acho que esse é o momento.
É preciso desprender-se, desapegar-se do que foi seu ar no último ano.
Agora não resta muito o que fazer além de esperar pelo sol quente do verão que começa a chegar nos braços da primavera.
Agora o barco volta ao mar pra se deixar levar pela maré, que parece estar mais forte dessa vez, mas ainda mais imprevisível que o habitual. Talvez porque agora tenha se descoberto que o mar não termina em uma queda gigantesca quando toca o infinito, terminando com seu silêncio ensurdecedor... Ele não termina e, se serve de consolo, não para de carregar o barco, sempre em alguma direção, mesmo que em enormes voltas, assim ele se faz maior que a nossa pressa e mais forte que nossos egos.
E o mar sempre estará pronto pra nos dizer não e muitas vezes o Não é muito mais que uma resposta, que um argumento fraco... Trata-se de uma escolha, e ela deve ser respeitada. O mar anda de mãos dadas com o menino do tempo e juntos brincam de desenhar nossos destinos em folhas brancas, com traços certeiros, sem erros...
Hoje, com todo esse balanço de volta ao barquinho sei que não posso levar a sério os elogios...Pra crescer tenho que me agarrar às críticas. Mas só àquelas que vem de uma voz forte e segura, que sopra como o vento que anuncia a chuva, dentro de mim.
A vida, esse mar escuro, que não vemos o fim do seu fundo, nos conduz numa dança entre os fantasmas do medo e da solidão, pra que quando o porto, tido como seguro, for avistado, e as flores estiverem em sua cor mais forte e o sol mais apino, saibamos diferenciar zumbis de amigos, vontades passageiras de destino... Sonhos de abismos.
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